Hoje me sinto velha… literalmente idosa!!!
Sinto uma imensa saudade de uma época que eu nem vivi... os psicodélicos anos 70. Época onde os jovens sonhavam com a era de aquário. Jovens que, imaginavam com a chegada dessa fase, seres humanos supostamente mais evoluídos. Imaginavam que os muros das desigualdades e diferenças tivessem enfim ido ao chão. Aqueles jovens sonhavam também com um mundo sem guerra, onde os povos praticassem intercâmbio cultural constante e as pessoas se amassem incondicionalmente, independente de raça, gênero, idade ou condição social. Lamento que esses jovens dos anos 70, presenciem hoje a degradação social que praticam os nossos jovens.
Peço desculpas pela minha incapacidade de educar essa nova geração que se apresenta. Crianças que diariamente despejam um racismo aguçado e uma agressividade impensável para os padrões humanos pensados há 30 anos.
Quando assistimos a intolerância de “jovens bárbaros pós-modernos” numa universidade, que deveria abrigar, aceitar e divulgar a comunhão entre as diversidades, ficamos não só envergonhados de ser parte dessa contemporaneidade social, mas também amedrontados com o que virá por aí.
A intolerância com o que é diferente, a incapacidade de aceitação de tudo o que sai de sua área de conforto, a arrogância de achar que o mundo funciona em benefício próprio e a prostração frente a desafios saudáveis, tornam o jovem de hoje uma realidade tão diferente de tudo o que as passadas gerações lutaram e sonharam para esse milênio, que causa não só frustração, mas uma reflexão de onde se colocou o erro.
Não quero que minha desilusão pedagógica contamine essa reflexão, mas é óbvio que a maioria dos jovens de hoje, não utilizam tudo de maravilhoso que essa nova era nos oferece. A informação imediata, o mundo sem fronteiras culturais, a progressão tecnológica e científica, a oferta de um ensino de qualidade possível e acessível para quem se esforça, a oportunidade de obter em segundos cultura do mundo inteiro em tempo real. Tudo tão perto e tão longe. Longe do entendimento do que tudo isso significa, longe da compreensão do bem e do mal, longe da coletividade e dos sentimentos saudáveis.
Permissividade demais? Negligência demais? Liberdade sem responsabilidade? Não tenho essa resposta.
Vale aqui uma ressalva aos jovens que não se encaixam nessa descrição e honram todas as manifestações e sangue derramado em prol dessa suposta modernidade democrática.
Peço que aqueles jovens sonhadores dos anos 70, que possuíam o hábito de praticar e assimilar arte, seja em forma de música, teatro, dança ou outro tipo de expressividade artística, não leiam mais os jornais, não vejam mais os noticiários, nem acessem a internet como veículo de informação. Só assim eles poderão manter viva a imagem da tão sonhada era de aquário que imaginaram no passado.
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
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