segunda-feira, 31 de agosto de 2009
PARÂMETROS DE MORALIDADE
Estava refletindo sobre os parâmetros de moralidade que nosso país parece adotar em diferentes situações. Não há como negar o excessivo erotismo que faz parte da nossa cultura popular desde a infância. Estamos acostumados a ver mães orgulhosas da “dancinha da moda” que a criança de 3 anos de idade aprendeu sozinha vendo TV, mesmo que essa “dancinha” seja “a boquinha da garrafa” ou coisa do gênero. Até mesmo em feiras culturais de escolas vemos grupos de alunos apresentando números de axé e funk com roupas e movimentos pouco apropriados para o local e a idade, mas sempre muito aplaudidos por educadores e até invejados por outros alunos. Não é de hoje que sites, propagandas e folders divulgam para o público estrangeiro um país com belezas diferenciadas, cultura exótica, erotismo aflorado, liberdade no vestir e no comportamento. Um país que demonstra tanta liberdade de expressão e que é conhecido por não exercer um preconceito desmedido como o que vemos em países do dito primeiro mundo possui em contrapartida, postura e julgamento rígidos no comportamento feminino. Não consigo entender porque a maioria da população não se choca com uma criança dançando inocentemente uma dança erótica (sem saber o que significa) e se choca com essa mesma criança que cresceu numa cultura de erotismo e exibição excessiva, dançando como todas as outras mulheres do local, de uma forma também erótica. Será que o fato de ter optado pela nobre profissão de professora infantil é o parâmetro da moralidade que algumas pessoas estabeleceram como inapropriado? Estranho parâmetro. Não quero aqui defender nenhuma postura e comportamento inadequado, até porque acho questionável também a banalização do corpo feminino em qualquer veículo de comunicação e expressão cultural, mas me assusto com o julgamento popular para o mesmo assunto em diferentes contextos. Até hoje tenho dificuldade em explicar para amigos estrangeiros porque não é apropriado o topless nas praias brasileiras (Pela lei, a prática de topless ou nudismo pode ser enquadrada no Artigo 233 do Código Penal, que condena atos obscenos em lugar público, a pena pode ser de três meses a um ano de detenção.), se mesmo nos parques europeus é uma prática cotidiana no verão. Ouço deles sempre a mesma pergunta com riso irônico “- No seu país podemos sair nu na avenida durante o carnaval e não é adequado tomar sol nos seios?”. Não podemos julgar comportamentos que estimulamos a criar, ou então deveríamos deixar bem claro quais os nossos reais parâmetros de moralidade em QUALQUER profissão, seja ele erótico ou de honestidade.
quinta-feira, 27 de agosto de 2009
Esquadros
Eu ando pelo mundo
Prestando atenção em cores
Que eu não sei o nome
Cores de Almodóvar
Cores de Frida Kahlo
Cores!
Passeio pelo escuro
Eu presto muita atenção
No que meu irmão ouve
E como uma segunda pele
Um calo, uma casca
Uma cápsula protetora
Ai, Eu quero chegar antes
Pra sinalizar
O estar de cada coisa
Filtrar seus graus...
Eu ando pelo mundo
Divertindo gente
Chorando ao telefone
E vendo doer a fome
Nos meninos que têm fome...
Pela janela do quarto
Pela janela do carro
Pela tela, pela janela
Quem é ela?
Quem é ela?
Eu vejo tudo enquadrado
Remoto controle...
Eu ando pelo mundo
E os automóveis correm
Para quê?
As crianças correm
Para onde?
Transito entre dois lados
De um lado
Eu gosto de opostos
Exponho o meu modo
Me mostro
Eu canto para quem?
Pela janela do quarto
Pela janela do carro
Pela tela, pela janela
Quem é ela?
Quem é ela?
Eu vejo tudo enquadrado
Remoto controle...
Eu ando pelo mundo
E meus amigos, cadê?
Minha alegria, meu cansaço
Meu amor cadê você?
Eu acordei
Não tem ninguém ao lado...
Adriana Calcanhotto
(...agora tem você!)
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